Um novo estudo causou polêmica nos postulados em que a ciência se baseava para formular a teoria da seleção sexual conforme ela vem sendo entendida desde 1948, aponta o jornal britânico The Daily Mail.
Comumente, as descobertas científicas se constroem a partir da análise, refutação e reformulação de teorias. No entanto, o trabalho de Angus Bateman foi publicado há mais de 60 anos sem que nenhum pesquisador chegasse a questionar os postulados apresentados por ele.
Originalmente, o trabalho de Bateman foi executado a partir de moscas frutíferas – três de cada gênero – isoladas em uma jarra. O pesquisador examinou o resultado de suas procriações e começou a esboçar teorias sobre o comportamento de machos e fêmeas.
Em um momento em que a análise de DNA não estava ao alcance, Bateman separou os insetos que nasceram de acordo com as características em comum que apresentavam. Depois de contabilizar todos os animais e cruzar os resultados, o estudioso concluiu que os insetos machos haviam procriado mais vezes e com um número maior de fêmeas. Já as fêmeas tiveram o mesmo número de crias com um ou mais machos.
Assim, estabeleceu-se a ideia de que a promiscuidade e a infidelidade sexual estão postas entre os homens desde sempre. Contudo, a coordenadora do estudo aponta que existe um erro fatal nessas conclusões e declara ao Science Daily: “O estudo de Bateman nunca deveria ter sido publicado”.
Para provar que os conceitos demonstrados poderiam estar equivocados, Patricia Gowarty e sua equipe refizeram o mesmo teste utilizado por Bateman, porém, contato com os avanços da análise genética. Uma das diferenças encontradas é que muitos filhotes sofriam mutações e tinham poucas chances de sobreviver. Sendo assim, a pesquisadora conclui que esses insetos podem ter morrido antes mesmo de serem contabilizados pelo pesquisador inglês. Isso faz com que o estudo de 1948 perca totalmente o seu valor científico.
Além disso, a coordenadora da pesquisa passou os últimos 30 anos se dedicando ao estudo dos gaios-azuis – uma espécie de pássaro – e suas descobertas apontam que, em espécies monogâmicas, é comum que as fêmeas procurem vários parceiros. Patricia Gowarty acredita que esse hábito seja uma resposta natural à necessidade de sobrevivência – o maior desafio evolucionário que enfrentamos.
Fonte: boainformacao
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