sexta-feira, 2 de março de 2012

Deixem o Feio ser Feio – no que o Politicamente Correto Está nos Transformando

Vivemos em uma sociedade onde o belo é cultuado – persegue-se incansavelmente o bonito, o atraente, o sedutor. Nessa busca, criam-se padrões de beleza definidos geralmente pela mídia. Experimente assistir o extinto programa do Chacrinha do Youtube – repare nas roupas, nos cabelos, nos corpos. Aquelas pessoas para as quais você olha e pensa: “Nossa, que brega”, estavam totalmente adequadas ao padrão de beleza da época. O que é feio para você hoje, era bonito antes. O feio é relativo. Hoje os padrões mudaram, porque determinamos outras características para fazer parte do grupo das coisas feias.  E as pessoas que hoje estão estão fora da forma considerada normativa para o quesito beleza, se prejudicam sim na área dos relacionamentos (para não mencionar as outras áreas da vida -  quem nunca viu um “boa aparência” incluso nos pré-requisitos para um emprego?). Tudo começa com a atração, com o externo. A beleza interior é essencial, mas só conseguimos enxergá-la quando ultrapassamos a barreira da aparência. E aí é natural que os feios saiam em desvantagem. Se você acha que isso não existe, se desprenda um pouco do politicamente correto e enxergue os fatos sem máscaras.


A invasão do politicamente correto tem tido um efeito oposto de sua intenção original, pois tem contribuído para uma sociedade mais hipócrita. Já não se pode mais chamar o velho de velho – agora ele é idoso, ou pior de tudo, pertence à “melhor idade”, expressões essas fracas demais para simbolizar o poder e o respeito que todo velho merece. O gordo, não pode ser mais chamado de gordo – uma característica física marcante dele – ele agora é fortinho ou pior cheinho. O negro, coitado, perdeu até o direito de possuir uma cor própria. Agora eles viraram afro-decendentes – mas afro significa “originário que vem da África”, então sobre quem estamos falando? A África do Sul tem a maior parte da população branca e loira. Os marroquinos tem uma cor de pele totalmente diferente dos senegalenses, mas os originários dos dois lugares agora recebem o mesmo nome – querem transformar o pardo e o negro em uma coisa só. E depois ainda tem pessoas que acreditam que o politicamente correto age contra o preconceito. Ora, pra mim preconceito é, entre outras coisas, perder o direito de assumir a cor da sua pele.


Essa tentativa incansável de mascarar a realidade tem criado um universo paralelo e fantasioso, onde todo mundo sabe a verdade, mas tem que fingir que não sabe. Precisamos rever o que é preconceito – no meu humilde ponto de vista, ser preconceituoso é discriminar o outro por suas particularidades – ou seja, quando você chama um negro de negro, você não está o desrespeitando e sim se referindo a ele como ele realmente é. Ele possui pele negra, algum problema nisso? Por isso clamamos – deixe o feio ser feio, o negro ser negro, o velho ser velho, o gordo ser gordo. Se essas verdades te incomodam, antes de xingar muito no twitter, faça um melhor uso do seu tempo e reflita a respeito – afinal, o conhecimento liberta.

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